A economia brasileira deixará de produzir 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial devido ao elevado número de feriados, valor equivalente ao dobro do orçamento do Ministério dos Transportes para este ano. Em 2011, as perdas atingiram 3,8% do PIB.
Feriados quebram a rotina. Páscoa quebra tudo.
Quebra o ritmo das ruas, dos humores, o orçamento, a dieta. Dá-lhe bacalhau, chocolate, vinho e colomba pascal.
A Páscoa, mesmo sendo um feriado religioso, é feriado em doses homeopáticas, vai se instalando sem que se perceba o efeito.
Primeiro tem a Quaresma, para uns a reflexão sobre a fuga dos judeus do Egito; para outros os dias que Jesus passou em meditação no deserto. Independente da fé professada a reflexão é regida por valores que evocam virtudes.
Guarda-se a Quaresma no interior do país e no saber dos antigos como preceito absoluto, inquestionável: cobrir santos e espelhos, jejum, abstinência da carne. Nos grandes centros, onde o cotidiano exige mais ação e menos romantismo, a praticidade exige mais tolerância. Para os mais jovens, são dias de burlar as tradições.
Depois vem o Domingo de Ramos, frescor que anuncia o devir da normalidade em tapetes de serragem e flores destituídos pela passagem da fé, efêmeros como mandalas budistas.
Então a Páscoa; antes do "liberou geral" , um dia para recordar o sacrifício e aceitar o conselho dos avós que não deixam nem varrer a casa ... preguiça autorizada. Segue-se o sábado, para malhar o Judas (me perdoem os judeus), e escarnecer da traição, da falsidade, e de todos os defeitos alheios projetados sobre aqueles que discordam de nossas convicções. Violência conduzida, insuflada, sustentada pela tradição e mantida pela catarse dos mais jovens ou imaturos.
Domingo! Folguedos e risos infantis, reconciliação dos antigos com os costumes heréges das novas gerações. A maioria dos brasileiros segue as tradições cristãs ou judaicas, os preceitos orientam a reflexão; o diálogo entre as gerações, a conciliação de interesses. Na Páscoa celebra-se o renascimento depois do sacríficio.
Os feriados são pedras no sapato dos capitalistas tradicionais. Felizmente uma nova ordem de gestores, em seus altos cargos, compreende que feriados como a Páscoa contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos funcionários.
Não é preciso comprar ovos de chocolate, nem bombons, basta ceder o tempo à família, com os valores que dão sentido à vida. Os funcionários agradecem valorizando o emprego, por consequência a empresa.
Seria bom que, de vez em quando, algum estatístico mensurasse o Índice de Felicidade e o convertesse em valores financeiros, comprovando, talvez, que um feriado não precisa ser um buraco na planilha de custos, pode muito bem ser a porta de entrada para funcionários colaborativos.