Tuesday, June 30, 2009

À Cézar o que é de Cézar!

O que eu faria se me restasse só esse dia?
Nada ... preferia que tivesse terminado ontem ... guardava na retina a beleza do Barreira Roxa, do céu azul, das nuvens sobre a praia de Areia Preta.
Morrer essa noite não teria tanta graça. Levaria nos ouvidos o som do trânsito, a impaciência das pessoas ... chato demais ... nascer também deve ser chato.
Pensa: lá está o ser, mergulhado em um silencio confortável e morno, aquela rotina de outro intestino que o ser insiste em perceber, de repente vem os solavancos, a pressão, a luz intensificada pelas lâmpadas da sala de cirurgia. Depois o cansaço, nada na retina (que ainda nem está bem formada), aquilo tudo embaçado, o ar frio sacundindo as narinas, invadindo a faringe, rescendendo a formol. E mais cansaço, dores no corpo espremido feito laranja ...

Anotação para a posteridade: na próxima quero nascer de cezariana!