Conselho Escolar
Sinto saudade de uma empregadora com quem trabalhei
durante 6 anos. Encargos sociais, salários, horário respeitado. Tudo certinho.
Obrigação, não favor, isso era claro para ela que deixava claro para nós. Ela era a primeira a chegar e a última a
sair, verificava salas, banheiros e corredores e fechava a escola. Despedia-se
do porteiro com a mesma simpatia com que cumprimentava os pais. Ganhava muito
dinheiro mas cuidava das galinhas-de-ouro.
Cada um de nós sentia-se valorizado pelo trabalho que
realizava, havia espaço para a iniciativa e para a criatividade, nos tornávamos
autônomos sem que para isso precisássemos de consultores e Gerente de RH,
equipamentos caros ou ostentação. O grau de satisfação com o trabalho era
facilmente identificado: não havia rotatividade de funcionários, ocorriam poucas
faltas ou atrasos, nos envolvíamos até o pescoço, não atrasávamos diários,
relatórios ou planejamento. Estudávamos porque nossas escolhas e interesses eram
respeitados e valorizados, éramos disciplinados pela organização
interna.
Ontem não é hoje. À noite, enquanto caminho pela escola e
as pessoas me abordam com reclamações, eu percebo que diferença faz um bom
líder. Quando me questiono a razão de reclamarem nos meus ouvidos e evitarem
tratar com a direção, eu bem sei a resposta. Qualquer local de trabalho sofre a
interferência de um líder, bom ou ruim.
O
bom líder é um agente aglutinador, reúne as pessoas, torna-as ativas, participa,
integra, oculta-se entre muitos. O mau líder não consegue superar o cargo,
simplesmente manda, dá ordens, diz como quer que seja feito, entrega papéis,
culpa os outros por sua própria omissão, gera insatisfação e ainda exige
deferência.
Como resultado prático: desmotivação dos responsáveis
pela execução do trabalho.
Minha perspectiva atravessa a faixa líquida das
convenções, sofre um pouco de distorção. Por lei posso questionar a direção, mas
isso não significa pé de igualdade. Porque em igualdade está quem desenvolve
algo junto, quem compartilha metas e responsabilidades. Fora disso é
discurso.
(Publicado originalmente em dezembro/2004)

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