Saturday, March 31, 2012

Conselho Escolar

Sinto saudade de uma empregadora com quem trabalhei durante 6 anos. Encargos sociais, salários, horário respeitado. Tudo certinho. Obrigação, não favor, isso era claro para ela que deixava claro para nós. Ela era a primeira a chegar e a última a sair, verificava salas, banheiros e corredores e fechava a escola. Despedia-se do porteiro com a mesma simpatia com que cumprimentava os pais. Ganhava muito dinheiro mas cuidava das galinhas-de-ouro.
Cada um de nós sentia-se valorizado pelo trabalho que realizava, havia espaço para a iniciativa e para a criatividade, nos tornávamos autônomos sem que para isso precisássemos de consultores e Gerente de RH, equipamentos caros ou ostentação. O grau de satisfação com o trabalho era facilmente identificado: não havia rotatividade de funcionários, ocorriam poucas faltas ou atrasos, nos envolvíamos até o pescoço, não atrasávamos diários, relatórios ou planejamento. Estudávamos porque nossas escolhas e interesses eram respeitados e valorizados, éramos disciplinados pela organização interna.
Ontem não é hoje. À noite, enquanto caminho pela escola e as pessoas me abordam com reclamações, eu percebo que diferença faz um bom líder. Quando me questiono a razão de reclamarem nos meus ouvidos e evitarem tratar com a direção, eu bem sei a resposta. Qualquer local de trabalho sofre a interferência de um líder, bom ou ruim.
O bom líder é um agente aglutinador, reúne as pessoas, torna-as ativas, participa, integra, oculta-se entre muitos. O mau líder não consegue superar o cargo, simplesmente manda, dá ordens, diz como quer que seja feito, entrega papéis, culpa os outros por sua própria omissão, gera insatisfação e ainda exige deferência.
Como resultado prático: desmotivação dos responsáveis pela execução do trabalho.
Minha perspectiva atravessa a faixa líquida das convenções, sofre um pouco de distorção. Por lei posso questionar a direção, mas isso não significa pé de igualdade. Porque em igualdade está quem desenvolve algo junto, quem compartilha metas e responsabilidades. Fora disso é discurso.
(Publicado originalmente em dezembro/2004)

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