" ... todas as coisas nobres são tão dificeis quanto raras ..."
De certa forma, queremos que algo mude de um momento para o outro. Destarte nosso desejo, tudo em que estamos envolvidos precisa ser ajustado gradativamente, até que se complete talvez um ciclo, talvez uma obra.
O tempo investido em algo que nos faz crescer e amadurecer parece, quase sempre, escoar como areia pelo vão dos dedos, mas como areia, não como água, o que nos dá uma certa vantagem: podemos comprimir os dedos.
Spinoza admitiu que “todas as coisas nobres são tão difíceis quanto raras”; considerando o que ele passou, em termos de perseguição ideológica, resolvi pesquisar alguns argumentos dele para justificar a afirmação.
Todo comportamento humano resulta de desejo ou a percepção de dor. Mas Spinoza assinalou uma distinção crucial entre dois tipos de casos: Às vezes somos completamente descuidados das causas que estão ocultas e somos simplesmente subjugados pela força de nossas paixões momentâneas. Mas em outros momentos temos conhecimento dos motivos que nos movem e podemos participar como que de uma ação deliberada porque reconhecemos nosso lugar dentro do esquema principal de realidade como um todo.
Podemos participar, e isso supõe fazer escolhas, tomar decisões, assumir nosso lugar. Isso dá trabalho ... mas nos torna livres.
Para Spinoza, liberdade é autodeterminação, então quando adquirimos o conhecimento adequado das emoções e desejos que são as causas internas de todas as nossas ações, quando entendemos por que fazemos o que fazemos, então nos tornamos verdadeiramente livres.
(Publicado originalmente em 16/11/2004)

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