Ainda sobre Conselho Escolar
Penso em tomar uma decisão de fim-de-ano: ser
politicamente correta onze meses do ano, no 12º tiro 30 dias para a esbórnia.
Não, não vou jogar lixo na rua, deixar torneira de banheiro público aberta, vaso
sanitário sujo, contar piada escatológica no restaurante ... essas são “coisas”
de educação, não de consciência política.
Digamos que exaurir a capacidade produtiva da consciência
política não é bom negócio. É correr o risco do discurso. Só palavras, frases de
efeito e enfado.
Pensei muito quando me perguntaram: Vai se deixar
corromper?
É
uma questão difícil. Primeiro porque devo analisar se há algo a ser corrompido.
Segundo preciso identificar qual o agente que corrompe e quais seus objetivos.
Eu
creio que as pessoas estão ocupadas demais com os próprios problemas para se
sobrecarregarem com a possibilidade de tramar planos destrutivos. As pessoas
costumam defender seus próprios interesses, ainda que possuam uma visão estreita
dos fatos.
Mas
é na segunda questão que reside o detalhe decisivo:
perspectiva.
A
perspectiva define os rumos. E o espetáculo pode ser trágico, para quem adota
outra perspectiva.
Eu
bem consigo entender a atitude arrogante e manipuladora de pessoas com poucas
perspectivas, realmente elas precisam, quase desesperadamente, manter o controle
da situação que conhecem, com a qual estão familiarizadas e não se desgastam.
Mas o desgaste que essas pessoas e suas atitudes mesquinhas provocam é um risco
a ser calculado.
Conviver com pessoas mesquinhas é um desafio. É um
desafio apresentar-lhes novas perspectivas, é um desafio oferecer-lhe algo que
elas julguem que ainda não tenham, é um desafio desfazer equívocos e apresentar
formas de agir (ou de ser) distintas das já
conhecidas.
É
muito difícil fazer-se entender por uma pessoa que não quer entender.
Mas
também consigo entender a atitude dos acomodados, que não reclamam e participam
da pantomima. Para haver manipulador, tem de haver manipulados.
Por isso vou cair na esbórnia: para conhecer
aquilo que presumo condenar.
(Publicado originalmente em dezembro/2004)

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