Saturday, March 31, 2012

Ainda sobre Conselho Escolar

Penso em tomar uma decisão de fim-de-ano: ser politicamente correta onze meses do ano, no 12º tiro 30 dias para a esbórnia. Não, não vou jogar lixo na rua, deixar torneira de banheiro público aberta, vaso sanitário sujo, contar piada escatológica no restaurante ... essas são “coisas” de educação, não de consciência política.
Digamos que exaurir a capacidade produtiva da consciência política não é bom negócio. É correr o risco do discurso. Só palavras, frases de efeito e enfado.
Pensei muito quando me perguntaram: Vai se deixar corromper?
É uma questão difícil. Primeiro porque devo analisar se há algo a ser corrompido. Segundo preciso identificar qual o agente que corrompe e quais seus objetivos.
Eu creio que as pessoas estão ocupadas demais com os próprios problemas para se sobrecarregarem com a possibilidade de tramar planos destrutivos. As pessoas costumam defender seus próprios interesses, ainda que possuam uma visão estreita dos fatos.
Mas é na segunda questão que reside o detalhe decisivo: perspectiva.
A perspectiva define os rumos. E o espetáculo pode ser trágico, para quem adota outra perspectiva.
Eu bem consigo entender a atitude arrogante e manipuladora de pessoas com poucas perspectivas, realmente elas precisam, quase desesperadamente, manter o controle da situação que conhecem, com a qual estão familiarizadas e não se desgastam. Mas o desgaste que essas pessoas e suas atitudes mesquinhas provocam é um risco a ser calculado.
Conviver com pessoas mesquinhas é um desafio. É um desafio apresentar-lhes novas perspectivas, é um desafio oferecer-lhe algo que elas julguem que ainda não tenham, é um desafio desfazer equívocos e apresentar formas de agir (ou de ser) distintas das já conhecidas.
É muito difícil fazer-se entender por uma pessoa que não quer entender.
Mas também consigo entender a atitude dos acomodados, que não reclamam e participam da pantomima. Para haver manipulador, tem de haver manipulados.
Por isso vou cair na esbórnia: para conhecer aquilo que presumo condenar.
(Publicado originalmente em dezembro/2004)

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