feliz aniversário, atrasado como sempre
Eu não sei o dia, e o anjo mais velho não se importa. Claro, em mais um conto mediúnico, as datas não importam.
Cidade nas Minas Gerais, casas de base de pedra. Estavam na praça, ela Mirtes. Ele o filho do juiz. Ela cometeu um crime, ele se ofereceu para evitar a prisão em celas sujas, com toda a sorte de gente e miséria. Um preço justo: casar-se.
Renasceram em outra vida, ele na planície, ela distante. Ainda garoto subiu e desceu serras, circulando pela cidade que era dela, mas sem se encontrarem. Ainda não seria o tempo. Ela se foi para a planície, mais tarde ele voltou também.
O início dos sonhos surpreendeu-a adulta e maternal. Via-o, ouvia-o e pensava que era um anjo, um amigo de outras dimensões. Quando o irmão levou-o para casa, e encontraram-se no plano físico, o estranhamento instalou-se. Ela não quis acreditar que a voz e o porte fossem os mesmos. Tão iguais, como uma alucinação. Perdeu-o nos sonhos. Temia pela liberdade de encontrá-lo.
Ele emprestou-lhe os olhos para compartilhar com ela a visão. Ela cingiu-lhe as asas, fazendo-o caminhar pela terra. Ela acostumou-se ao olhar dele, aos chamados e a presença exigente. Ele habituou-se aos dependentes dela. Auscutando o coração dele, ela recuperou a identidade e a certeza. O tempo de estarem juntos. Anos em que ela mostrou o caminho que queria e se fez acompanhar pelos ideais dele. Anos encantados. Até ele cobrar um preço justo.
Depois de seis anos, ela soltou as asas, quando abriu-as ele destruiu tudo ao redor. Ela sabia antes dele. E não queria que ele deixasse tudo por ela. Haviam os planos que ele precisava traçar e realizar sem os limites dela.
Ele afastou-se, mas comprou a casa que ela adorava. Onde a varanda abre-se para o pôr de sol atrás da mata em Segredo. Deixou a porta aberta. Sem necessidade. Quase vinte anos depois ela procurou-o nos sonhos e disse o que queria. Ele atendeu a vontade.
A porta permanece aberta, mas Mirtes conhece o caminho para a alma dele, não precisa de chaves.
Cidade nas Minas Gerais, casas de base de pedra. Estavam na praça, ela Mirtes. Ele o filho do juiz. Ela cometeu um crime, ele se ofereceu para evitar a prisão em celas sujas, com toda a sorte de gente e miséria. Um preço justo: casar-se.
Renasceram em outra vida, ele na planície, ela distante. Ainda garoto subiu e desceu serras, circulando pela cidade que era dela, mas sem se encontrarem. Ainda não seria o tempo. Ela se foi para a planície, mais tarde ele voltou também.
O início dos sonhos surpreendeu-a adulta e maternal. Via-o, ouvia-o e pensava que era um anjo, um amigo de outras dimensões. Quando o irmão levou-o para casa, e encontraram-se no plano físico, o estranhamento instalou-se. Ela não quis acreditar que a voz e o porte fossem os mesmos. Tão iguais, como uma alucinação. Perdeu-o nos sonhos. Temia pela liberdade de encontrá-lo.
Ele emprestou-lhe os olhos para compartilhar com ela a visão. Ela cingiu-lhe as asas, fazendo-o caminhar pela terra. Ela acostumou-se ao olhar dele, aos chamados e a presença exigente. Ele habituou-se aos dependentes dela. Auscutando o coração dele, ela recuperou a identidade e a certeza. O tempo de estarem juntos. Anos em que ela mostrou o caminho que queria e se fez acompanhar pelos ideais dele. Anos encantados. Até ele cobrar um preço justo.
Depois de seis anos, ela soltou as asas, quando abriu-as ele destruiu tudo ao redor. Ela sabia antes dele. E não queria que ele deixasse tudo por ela. Haviam os planos que ele precisava traçar e realizar sem os limites dela.
Ele afastou-se, mas comprou a casa que ela adorava. Onde a varanda abre-se para o pôr de sol atrás da mata em Segredo. Deixou a porta aberta. Sem necessidade. Quase vinte anos depois ela procurou-o nos sonhos e disse o que queria. Ele atendeu a vontade.
A porta permanece aberta, mas Mirtes conhece o caminho para a alma dele, não precisa de chaves.

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