Sunday, October 10, 2010

A indigestão do Dr. Spock

Estou fazendo um curso a distância. Seria pleonasmo dizer um curso à distância pela internet? Em tempos de TI, até o Aurélio já admite guglear e tuitar como verbos passíveis de flexão. Quando começo a pensar nisso me deleito: a grafia, de acordo com a Reforma Ortográfica - que Portugal ignora :-) - o w é admitido como letra do nosso alfabeto, portanto twitar é uma variação ortograficamente coerente.
A flexão verbal já está em pleno uso: eu twito, tu twitas, ele twita. Nós twitamos. Eles twitam, mas se vós twitais, há um sério problema de dominação no relacionamento, melhor procurar uma terapia de casais. Pode ser via rede de relacionamentos, há uma infinidade de comunidades no Orkut.
E (oh! Suprema cereja do meu bolo!) se as pessoas vão pronunciar google (gugou) ou gógle, isso tem interferência na flexão verbal? Lindo, né? Nosso regionalismo brasileiro numa discussão globalizada!

Pois, é! Estou num EAD. Quando me inscrevi, esperava um daqueles cursos de 60 horas, quase interativas, com recursos flashplayer, etc e tal. Na primeira semana disponibilizaram uma apostila de 130 páginas (bem rica, diga-se a verdade). Mas eu não esperava tanto do governo. Ah, sim, é de um site do governo, com toda aquela falácia sobre políticas públicas, normatização, e tudo mais. A analogia seria de que está tão bom quanto biscoito cream-cracker: consumo sem me dar conta, material bem planejado, nem dá para fazer ctrlC/ctrlV. No 10º dia, disponibilizaram as atividades. Valendo ponto para a certificação, tá?

E eu nessa indigestão. Aborrecida de ser pivô de crises de manipulação emocional. É irritante

CENSURADO

Também estou aborrecida por olhar as pessoas nos olhos, a curiosidade descarada. Quanto maior a curiosidade, mais interessada e sensível aos movimentos. Não é algo que eu possa controlar facilmente. Observo de forma vulgar, encarando, sem disfarçar. É outro tipo de esforço: relacionar a mensagem que atrae os olhos às informações que disponho.
Algumas informações estão relacionadas aos arquétipos, tipo observar uma aranha ou escorpião avaliando a minha intenção de assassinar um outro ser vivo. Os seres humanos carregam isso desde o tempo em que habitavam as estepes e as cavernas. O preconceito com a aparência das pessoas também vem daí. Nos primórdios, as comunidades humanas não eram tão miscigenadas então qualquer diferença na aparência podia significar um concorrente aos recursos territoriais, ou seja, uma ameaça à manutenção da vida. Nossos arquetipos guardam isso como uma mensagem cifrada, nada racional. É como um inferno particular, olhar e sentir soar alarmes de sobrevivência, sem saber o que significa, sem ter como sanar o problema. O resultado é tensão, para mim impaciência. Tento me lembrar o que desencadeou a curiosidade, e nada. Penso que eu não mastiguei direito.

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