Thursday, July 09, 2009

Insônia

Houve o tempo dos sem-alguma coisa. Sem-teto, sem escola, aquelas minorias gigantes que reclamavam seus direitos e recebiam algum tipo de benefício do governo. Quando encontrei causa própria (a das sem-pensão alimentícia), o IBGE reconheceu "oficialmente" a existência de famílias chefiadas por mulheres. "Oficialmente" ...
Estamos no tempo da inclusão; seria engraçado se eu pudesse afirmar dramaticamente:
Tenho síndrome de Asperger.

Teria, enfim, uma bandeira. Haveria comoção popular? Eu seria perdoada por não reconhecer a fisionomia das pessoas conhecidas? Seria perdoada por ser sem-noção? Compreenderia quando me ofendessem?
Pelo sim, pelo não, nunca coloquei os pés em um consultório psiquiátrico para fazer uma avaliação. Receio que a resposta seja sim, e que eu nunca vou ter jeito (embora nem me importe muito com isso, apenas não gosto da idéia de fazer os outros sofrerem).
As vezes leio a crônica dos Vagotônicos de Vinicius de Moraes, e sinto uma certa tranquilidade em não ser o que os outros desejam, em não atender as expectativas alheias, essas coisas ...
Não sou contra a inclusão, apenas acho graça na mania que as pessoas tem de procurar uma tese, um veredito, teoriazinha qualquer para justificar seu comportamento pessoal.
Nem quero me consertar ou justificar. É uma noite de insônia e eu tenho direito a dizer bobagens.

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