Desgraça pouca é bobagem ...
pense o que é ganhar na Megasena um prêmio acumulado no meio de uma greve de bancários. Se vai ter sorteio ou não, nem sei dizer. Mas é tragicômico.
Minha lista de desejos, que me mataria de raiva numa situação dessas, seria:
- Saltar de páraquedas: sem hífem, indiferente ao acento, mas com toda a segurança. Aceitava até ter de saltar após algum treinamento. Esperar por não poder retirar o prêmio já é crueldade.
- Uma bicicleta com GPS. (Aliás, financiava pesquisa para que inventassem um GPS subcutâneo, ao melhor estilo de alucinação John Nash. Bem que eu iria gostar de um chip instalado com acesso para todos os cartões de banco, alimentação e contas na internet. Os neurônios que queimo em operações eletrônicas poderiam ser facilmente investidos em atividades mais produtivas que memorizar os códigos alfanuméricos que me perseguem. Dos meus cartões só gosto daquele do plano de saúde, senha biométrica. Por ironia, o que menos uso.)
Devidamente munida de GPS, bicicleta, cartões magnéticos/senhas e páraquedas, poderia me embrenhar pelo sertão. Poderia percorrer as Chapadas brasileiras, começando pela Chapada Diamantina. Conhecer o norte do Brasil (única parte que ainda não conheço). Levaria meses, claro. Talvez eu precisasse aprender a pilotar barco ... uma coisa leva à outra. Quem pode dizer que outras necessidades seriam geradas pelos desejos primordiais? Levaria meses ...
Meses de poucas palavras, longos silêncios. Continuo pensando que as pessoas fazem muito barulho, mesmo depois de descobrir que tenho que fazer barulho também. Não foi uma descoberta muito agradável, mas necessária. Pouco empolgante, é verdade, mas necessária.
Silêncio e sossego não estão à venda, e eu não sou louca o bastante para me internar em um monastério ou coisa parecida. Um retiro espiritual vai bem de vez em quando, mas não me afastaria das pessoas que gostam de mim. Se eu sobreviveria sem elas? Com ou sem megasena acumulada, sobreviveria, mas não permitiria que ficassem infelizes pela minha falta de apego. Se, por qualquer motivo, as pessoas se afastam de mim, eu aceito. Parece-me natural que a vida das pessoas seja produtiva, e que para levar uma vida produtiva as pessoas precisem se dedicar às suas escolhas, não é certo retê-las por capricho ou por medo da solidão. Quanto à me afastar é algo que deve ser avaliado com cautela.

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